>
Ativos Financeiros
>
Certificados de Recebíveis: Entenda as Vantagens e Riscos

Certificados de Recebíveis: Entenda as Vantagens e Riscos

26/09/2025 - 01:52
Giovanni Medeiros
Certificados de Recebíveis: Entenda as Vantagens e Riscos

Os Certificados de Recebíveis são instrumentos complexos, mas essenciais para investidores que buscam diversificação e oportunidades no mercado brasileiro.

Definição e Conceito

Os títulos de renda fixa de crédito privado são emitidos por securitizadoras e lastreados em direitos creditórios originados de vendas parceladas, duplicatas e outros recebíveis.

Ao adquirir um certificado de recebíveis (CR), o investidor se torna credor da securitizadora, que se compromete a devolver o montante investido acrescido de remuneração em data futura pré-estabelecida.

A regulamentação desses títulos foi solidificada pela Medida Provisória nº 1.103/2022, convertida na Lei nº 14.430/2022, garantindo segurança jurídica e critérios claros para emissão.

Tipos de Certificados de Recebíveis

  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI): lastreados em créditos do setor imobiliário, como aluguéis e financiamentos. Possuem isenção fiscal para pessoa física e adotam, muitas vezes, regime fiduciário para proteção dos ativos.
  • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA): baseados em recebíveis do agronegócio, desde a produção até a comercialização. Tradicionalmente atraem investidores que buscam exposição ao setor rural e têm alto volume de emissão anual.

Processo de Securitização

O processo inicia-se quando uma empresa cede seus recebíveis a uma securitizadora, recebendo o valor à vista com desconto (deságio). Em seguida, a instituição agrupa esses créditos e os transforma em títulos negociáveis.

Investidores adquirem esses títulos, fornecendo capital imediato para as empresas cedentes e, em troca, recebem rendimento definido por remuneração pré-fixada, pós-fixada ou indexada ao IPCA ou CDI.

O fluxo futuro dos recebíveis compõe o lastro desses instrumentos, que podem contar com garantias adicionais, como avais de terceiros ou alienação fiduciária.

Panorama de Mercado Atual

O mercado já registra números expressivos em 2025: o estoque de CRIs alcançou R$ 240 bilhões em junho de 2025, enquanto o estoque de CRAs chegou a R$ 160,04 bilhões no mesmo período. Essas cifras representam avanços de 7,6% e 10%, respectivamente, em seis meses.

No mercado secundário, os CRIs movimentaram R$ 47,7 bilhões no primeiro semestre, com recorde de 382,8 mil operações. Já no primário, as emissões de CRs somaram R$ 635,7 milhões no mesmo período.

A expectativa de tributação de 5% a partir de 2026, conforme MP 1.303/2025, vem impulsionando uma corrida por títulos ainda isentos, emitidos até o final de 2025.

Vantagens dos Certificados de Recebíveis

  • Rentabilidade potencialmente superior ao mercado tradicional, especialmente em cenários de taxa básica de juros mais baixa.
  • Diversificação de portfólio com setores distintos, proporcionando equilíbrio entre imobiliário e agronegócio.
  • Incentivo ao financiamento de setores-chave, contribuindo para o desenvolvimento econômico.
  • Instrumento elegante para investidores qualificados em busca de alternativas à renda fixa convencional.

Riscos dos Certificados de Recebíveis

  • Risco de crédito: inadimplência dos devedores dos recebíveis pode comprometer os pagamentos.
  • Risco de liquidez: baixa negociação no mercado secundário dificulta vendas antecipadas.
  • Risco de mercado: oscilações de juros e retração em setores de lastro afetam os preços.
  • Risco regulatório: alteração de isenção de IR e novas normas do CMN podem impactar a atratividade.
  • Complexidade operacional exige análise detalhada de contratos e garantias.

Aspectos Regulatórios e Atualizações

O Conselho Monetário Nacional tem aprimorado as regras de emissão, ressaltando a finalidade dos recursos e restringindo emissões a empresas cujo negócio principal está alinhado ao lastro. A Resolução nº 5.212/2025 reforçou exigências de elegibilidade e proteção ao investidor.

Além disso, a tributação sobre rendimentos passará a 5% em 2026, o que torna essencial o planejamento de carteira com foco em emissões vigentes ainda isentas.

Características Básicas de Investimento

Esses títulos oferecem diversas possibilidades de remuneração. Podem ser:

  • Pré-fixados: taxa definida no momento da emissão.
  • Pós-fixados: atrelados ao CDI ou IPCA.
  • Híbridos: combinam parcelas pré e pós-fixadas.

Os prazos variam de meses a vários anos, exigindo avaliação do horizonte de investimento e perfil de liquidez desejado.

Considerações Finais

Os certificados de recebíveis são alternativas robustas para perfil de investidor qualificado que buscam rentabilidade superior, mas envolvem riscos e complexidades operacionais.

É fundamental analisar o portfólio de recebíveis, garantias ofertadas e a saúde financeira da securitizadora, além de acompanhar as mudanças regulatórias e tributárias.

Com conhecimento aprofundado e estratégia adequada, esses títulos podem enriquecer a carteira e contribuir para o desenvolvimento de setores importantes da economia brasileira.

Referências

Giovanni Medeiros

Sobre o Autor: Giovanni Medeiros

Giovanni Medeiros