Em meio a um cenário econômico complexo, é possível encontrar caminhos para enfrentar obstáculos e construir um futuro mais estável e promissor.
O Brasil encerra 2025 com crescimento moderado do PIB, projetado em torno de 2,4% pelo Banco Mundial e 2% pelo Banco Central. Apesar de superar a média regional, esse avanço ocorre sob pressão de uma taxa Selic mantida em 15%, o segundo maior juro real do mundo.
A inflação, medida pelo IPCA, acumula 5,32% em 12 meses até maio, ainda acima do teto da meta oficial. Reajustes em energia e combustíveis, gargalos logísticos e câmbio volátil agravam esse panorama, tornando o custo de vida um desafio diário para milhões de brasileiros.
O endividamento atinge hoje quase 80% das famílias, um recorde histórico de endividamento familiar. Muitos utilizam crédito para despesas básicas — luz, aluguel e mercado — e veem suas finanças se deteriorarem conforme a inflação corrói a renda real.
A inadimplência caminha lado a lado com o aumento do custo de vida, alimentando um ciclo difícil de romper. Segundo dados da Serasa, 71,7 milhões tiveram nome negativado em agosto de 2025, um crescimento de 9,2% em relação ao ano anterior.
Mais da metade dos brasileiros admite entender pouco ou nada de finanças pessoais, embora reconheça a importância do tema para a estabilidade familiar. A falta de conhecimento leva à confusão entre crédito bom e ruim, ampliando o endividamento.
Investir em educação financeira desde a escola pode prevenir o endividamento futuro e estimular hábitos de poupança e investimento. Programas simples, com linguagem acessível, ensinam planejamento de orçamento, uso consciente do crédito e metas de longo prazo.
Mesmo em meio à adversidade, há sinais concretos de recuperação. A Formação Bruta de Capital Fixo cresceu 9,1% no primeiro trimestre de 2025, elevando a taxa de investimento para 17,8% do PIB. Setores como infraestrutura, energia renovável e tecnologia começam a despontar como motores de expansão.
Empresas que adotam inovação e eficiência operacional mostram maior capacidade de resistir a juros elevados e custos de capital onerosos. A sustentabilidade financeira e a visão de longo prazo tornam-se fundamentais para aproveitar esses movimentos.
Para transformar resiliência em crescimento sustentável, o país precisa equilibrar juros altos com redução gradual do custo de crédito e maior previsibilidade fiscal. A dívida pública perto de 80% do PIB indica urgência em ajustes que preservem o equilíbrio macroeconômico.
O dilema central é conciliar o controle da inflação com condições de crédito mais acessíveis, sem comprometer a estabilidade alcançada nos últimos anos. A convergência para a meta de inflação e a clareza nas regras do jogo atraem investimentos e reduzem a incerteza.
Superar os obstáculos financeiros de 2025 exige a união de esforços: famílias que busquem educação e planejamento, empresas que invistam em inovação e eficiência, e poder público comprometido com reformas estruturais. Juntos, esses agentes podem construir um ciclo virtuoso de crescimento.
Com inteligência e estratégia, é possível enfrentar a inflação, os juros elevados e o endividamento histórico, preparando o Brasil para um futuro de prosperidade compartilhada.
Referências